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Como Funcionam os Juros Compostos na Prática

Escrito por: Equipe TudoCertinho · Última atualização:

Juros compostos são juros que rendem juros: o que foi ganho num período passa a fazer parte do capital que rende no período seguinte. É por isso que o crescimento de um investimento (ou de uma dívida) não é uma linha reta, e sim uma curva que acelera com o tempo.

A diferença para os juros simples

Nos juros simples, o rendimento é sempre calculado sobre o valor inicial, período após período. Nos juros compostos, cada período soma o que já rendeu ao capital, e o próximo período rende sobre esse total maior. No curto prazo a diferença é pequena; no longo prazo, é enorme.

Um exemplo simples: R$ 10.000 a 1% ao mês rendem R$ 100 no primeiro mês, seja qual for o regime. Só que no segundo mês, os juros compostos incidem sobre R$ 10.100 (e não mais sobre R$ 10.000), gerando um pouco mais de juro que o mês anterior — e essa diferença cresce a cada mês.

Por que o tempo pesa mais do que o valor aportado

O efeito composto precisa de tempo para se manifestar: nos primeiros anos, ele parece pouco relevante; depois de uma década, a curva dispara. Isso torna o tempo de exposição ao investimento mais decisivo, muitas vezes, do que o valor de cada aporte — começar cedo com pouco tende a superar começar tarde com mais.

A mesma matemática funciona contra você numa dívida

Cartão de crédito rotativo e cheque especial cobram juros compostos, geralmente entre os mais altos do mercado financeiro. Uma dívida de R$ 1.000 a 14% ao mês, sem nenhum pagamento, passa de R$ 4.800 em um ano — o mesmo mecanismo que multiplica um investimento também multiplica uma dívida não paga.

Por isso, quitar uma dívida com juros altos costuma ser matematicamente melhor do que investir ao mesmo tempo: dificilmente um investimento rende mais do que os juros cobrados no rotativo do cartão.

Aportes mensais também rendem juros compostos

Quando você investe um valor fixo todo mês, cada aporte individual passa a render juros pelo tempo que ainda falta até o fim do período. O primeiro aporte rende por mais tempo que o último — o que reforça, de novo, a vantagem de começar cedo em vez de esperar para aportar valores maiores.

Exemplo completo, passo a passo

Beatriz começa com R$ 1.000 guardados e passa a investir R$ 300 todo mês, a uma taxa de 0,8% ao mês, por 3 anos (36 meses):

  1. 1. Capital inicial

    R$ 1.000,00

    Valor investido de uma vez, no início

  2. 2. Total aportado em 36 meses

    R$ 10.800,00

    R$ 300,00 × 36 meses, sem contar os juros que os próprios aportes geram

  3. 3. Juros acumulados no período

    R$ 1.990,85

    Diferença entre o valor final e tudo o que foi efetivamente investido

Valor final de Beatriz após 3 anosR$ 13.790,85

Dos R$ 13.790,85 finais, R$ 11.800,00 saíram do bolso de Beatriz (capital + aportes) e R$ 1.990,85 vieram só dos juros compostos — cerca de 17% a mais do que ela efetivamente colocou, puramente pelo efeito do tempo.

Fontes oficiais

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